Entrevista R&V

Novembro, 2014

Rodovias&Vias já relatou em suas páginas a experiência di­ferenciada que é rodar pelas pistas da imigrantes - especialmente a des­cendente. A segurança e a possibilidade de manter uma boa velocidade constante, tornam pos­sível até mesmo relaxar durante seu percurso. Porém, é bem verdade que a sua "absorção" em meio ao tráfego urbano de destino - em especial para os que não optam por continuar a viagem em direção à SP-55 Padre Manoel da Nóbrega (caminho pelo qual se percebe uma gradual diminuição de padrão técnico, e que permite ao mo­torista um "tempo de aclimatação" a ele) - é uma condição bastante díspa­re deste cenário previamente descrito. São várias as causas para esta situação que há tempos já demandava aten­ção, tais como o aumento populacio­nal e consequentemente do trânsito de veículos, em especial nos perío­dos festivos e feriados prolongados. Daí surgiu a concepção de tornar um pouco mais condizente, na medida do possível, essa diluição do tráfego, no ponto em que ele se mescla e modi­fica suas características, um trabalho em desenvolvimento pelo DER/SP - via sua "filial" em Cubatão, a Direção Regional de número 5, ou simples­mente "DR.5".Duas frentes, uma solução

Divididas em dois lotes, as interven­ções visam maior equilíbrio entre as ca­racterísticas técnicas de dois padrões muito distintos, visando aumento de segurança e fluidez, pela adoção de dis­positivos em desnível, como forma de eliminar conflitos entre veículos entre si e veículos e pessoas, devido à presença maciça de pedestres e de cruzamentos com semáforo. "São obras distintas", re­vela Orlando Arantes, diretor da DR.5. "A primeira refere-se a duplicação do trecho do km 62 ao 65, onde existe a transposição do canal do Barreira, que é a principal obra, com entrega previs­ta para Dezembo deste ano", ele situa, continuando: "E a mais impactante. É uma obra muito bonita. Uma ponte sobre o canal, que justamente, faz a divisa entre Cubatão e São Vicente". Sobre o se­gundo trecho, ele declarou à Rodovias&­Vias: "Na sequência, temos um segundo contrato, de obras mais complexas, que compreendem os km 65 ao 67, onde es­tão projetados 4 grandes viadutos que vão eliminar a existência de 6 semáforos em cruzamentos com avenidas munici­pais em São Vicente, previstos para janeiro de 2016. Para execução desse segun­do lote, tivemos 3 grandes desvios para todo o tráfego, com cerca de 600 metros cada um na chegada da Imigrantes (SP-160) ao Município de São Vicente", con­cluiu já deixando claros os desafios que a Construtora Ferreira Guedes S/A, empre­sa do Grupo Ágis, vencedora do certame para realização dos trabalhos e não por acaso entre as maiores e mais conceitua­das empresas de engenharia do Brasil, enfrentou e enfrenta para entregar as obras. O Investimento total, de quase R$ 150 milhões, deve passar por correções em termos de projeto, segundo sinali­zou à Rodovias&Vias o diretor Orlando: "Pode haver alguma majoração nos valo­res. O que, pela complexidade envolvida, é completamente admissível", disse ele, revelando ainda que a demanda sendo atendida, já há algum tempo era reivindi­cada e estava prevista pelo DER. O expe­riente engenheiro resumiu: "Sabemos, muito embora o trecho não esteja sob nossa jurisdição, da importância desse contexto da chegada da Imigrantes em São Vicente", afirmou, antes de concluir: "Temos a expectativa de eliminar os con­flitos ocasionados pelas passagens em nível, nessa que é uma região densa­mente povoada, em um trabalho há mui­to reivindicado pela população."

"Temos a expectativa de eliminar os conflitos ocasionados pelas passagens em nível, nessa que é uma região densamente povoada, em um trabalho há muito reinvidicado pela população:"Orlando Arantes Diretor da Regional Cubatão - DR.5.

A Operação em Detalhes

Como não poderia deixar de ser, a Rodovias&Vias, sempre atenta às soluções e à inteligência das quais elas resultam, foi conversar com os protagonistas de um trabalho que - como explicitado pelo próprio DERISP - é bastante complexo. Na vanguarda da engenharia empregada pela Construtora Ferreira Guedes, uma das equipes teve a oportunidade de conversar com os engenheiros Luiz Paulo Zuppani Ballista, diretor de engenharia da Ferreira Guedes e Reinaldo Maluf de Freitas Filho, gerente de contratos, em uma conversa que você acompanha a seguir.

R&V: Quais são os desafios e as dificuldades para execução da obra de um projeto complexo, com interferências de trânsito urbano, em uma rodovia com alto fluxo de veículos, como na si­tuação da SP-160?

Ballista: A implantação de obras em meio urbano sempre são objeto de preocupação adicional por parte do construtor devido a presença de tran­seuntes, ocorrência de interferências, sazonalidades de tráfego ao longo do dia, dentre outros. Requer, portanto, cuidados redobrados. A implantação de obras em rodovias em operação demanda outros cuidados específicos devido a presença de veículos de car­ga, comerciais e de passeio, transitando em alta velocidade. Necessita, portan­to, estabelecer um convívio harmônico com a execução da obra, disciplinandoo tráfego aos desvios implantados, res­peitando um competente sistema de sinalização de desvios de tráfego que opera em períodos diurno e noturno, e convivendo com entrada e saída de veí­culos à baixas velocidades. No caso das obras implantadas na SP-160, Rodovia dos Imigrantes, todos estes fatores es­tão presentes concomitantemente por se tratar do trecho urbano que cruza os municípios de São Vicente e Cubatão. Neste cenário, encontramos as interfa­ces inerentes às obras urbanas soma­das às interfaces inerentes às obras de duplicação de rodovias. Cabe ressaltar ainda que a região consiste em acesso às principais praias do litoral sul do esta­do, com impacto direto do turismo em fins de semana e temporadas, além de consistir em acesso ao principal sistema portuário do país. Todas estas características somadas fazem destas obras um sistema de complexas interfaces.

R&V: Ainda dentro desta complexidade citada, como se deu a relação entre diferentes organizações tanto do Es­tado, como da iniciativa privada e da sociedade civil organizada?

Maluf: O planejamento executivo foi desenvolvido com o envolvimento de todas as partes interessadas: cliente, prefeituras, comunidade local, conces­sionária que opera a rodovia, conces­sionárias de serviços, órgãos de licencia­mento, dentre outros, sempre de forma a minimizar os transtornos temporários causados pela execução das obras. En­tre as ações realizadas para a execução das obras, destacamos a existência de diversas interferências. Foram solicitadas às Concessionárias os cadastros das instalações existentes ao longo da via, além da realização de uma prospecção minuciosa visando a confirmação das in­formações constantes nos documentos recebidos. Isto posto, para a viabilização da implantação dos viadutos no trecho de São Vicente, foi necessário estabele­cer etapas construtivas de forma deta­lhada, tendo em vista a manutenção de disponibilidade operacional da Rodovia durante o período de construção. Para viabilização das etapas de construção, foi concebida pelo DER a construção de uma terceira pista com duas faixas de tráfego paralelas a pista sul, chamada de via lateral, construída sobre as valas de drenagem atualmente existentes atra­vés de sua canalização com galerias de concreto armado.

R&V: Além das interferências oriundas de atividades humanas, quais outras po­de-se apontar?

Maluf: Durante a execução de uma das galerias, foram observados materiais de baixa resistência e alta compressibili­dade, além de forte presença de água no interior das cavas que, caso não fosse de­vidamente controlada, poderia provocar instabilidade nas paredes, em particular nas regiões onde as galerias tangenciam edificações. Assim, além dos controles executivos, especial atenção foi dedica­da à análise de possibilidade de danos às residências, manifestadas através de trincas, fissuras e, no limite, ruptura das estruturas. Tais condicionantes de­mandaram investigações detalhadas do subsolo local para estabelecimento dos melhores e mais seguros métodos cons­trutivos para cada trecho da galeria.

R&V: As obras da SP-160, por se tratarem de um projeto do DER, que não esta­vam previstas no contrato de conces­são, têm alguma exigência ou alteração por parte da concessionária?

Ballista: As operações inerentes aos contratos executados pela Construto­ ra Ferreira Guedes têm sido objeto de estreito acompanhamento da Conces­sionária responsável pela operação da Rodovia dos Imigrantes, a Ecovias. Este acompanhamento passa por reuniões quinzenais com a concessionária para atualização do planejamento, além do monitoramento dos serviços executa­dos, condicionantes de desvios, moni­toramento da sinalização implantada, dentre outros. Para intervenções na ro­dovia, é necessária uma autorização ex­pedida pela concessionária, na qual exi­ge-se que sejam atendidas as normas e padrões de segurança da mesma. A Con­cessionária também efetua acompanha­mento bastante próximo dos projetos e serviços executados pela Construtora Ferreira Guedes, visando a garantia da qualidade do produto final que irá rece­ber e que será responsável por manter.

R&V: Na questão ambiental, quais exi­gências estão sendo atendidas para execução da obra com mínimo impacto à natureza e quais as dificuldades para liberação das licenças por tratar-se de uma obra que passa no canal barreiros?

Maluf: O foco na preservação am­biental é permanente, uma vez que o local guarda complexas combinações entre água, solo, relevo, vegetação e ocupação humana, destacando-se seus manguezais, comunidade lindeira e o próprio canal dos Barreiros. A equipe das obras conta com profissionais espe­cializados que acompanham todas as frentes de serviço e exigências das licen­ças ambientais. Por estes cuidados, não houve registro de nenhuma ocorrência ambiental até o momento. Quanto ao recebimento da Ordem de Serviço, as li­cenças de instalação e supressão vegetal já estavam aprovadas. Porém como par­te das obras estão localizadas no Municí­pio de São Vicente, e pelo fato deste ter uma legislação ambiental especifica, foi necessário um licenciamento ambien­tal municipal, com exigências de trans­plante de espécimes arbóreos que não podiam ser suprimidos. A liberação da Capitania dos Portos para navegação no Canal dos Barreiros foi o item de maior atenção. Por se tratar de um projeto an­tigo, as autorizações já estavam venci­das, e tiveram que ser renovadas. Fez-se necessário, portanto, a contratação de empresa especializada da área de en­genharia naval para obtenção de todas as autorizações junto a Marinha. Dentre outras exigências ambientais, todas as embarcações utilizadas contavam com proteções e sistema de contenção anti­ vazamentos, preocupação redobrada com a degradação de um ecossistema tão complexo. Como sístema preventivo adicional, por iniciativa da Construtora Ferreira Guedes, foram instaladas barrei­ras absorventes de contenção ao redor dos equipamentos de apoio náutico, de modo que um eventual vazamento pu­desse ser contido imediatamente, mini­mizando suas consequências. Cabe ressaltar que os resíduos gera­dos pelas obras são enviados para des­tinação final adequada, em locais licen­ciados, de acordo com suas classificações. Há sistema de coleta seletiva em todas as frentes e kits de mi­tigação para ocorrências ambientais.

R&V: Quais outras informações impor­tantes e características são dignas de nota nesta empreitada?

Ballista: A região de implantação da duplicação da Rodovia dos Imigrantes, região da baixada santista, foi subme­tida a diversas ações da natureza que alteraram de forma marcante a sua to­pografia e geologia, influenciando no comportamento dos solos locais e, em consequência, na forma de executar as obras de engenharia sobre esses mate­riais de fundação. A complexidade das obras e de seu específico entorno são potencializadas pelas peculiaridades da geologia local, com solos residuais e coluviais permeáveis, saturados e de alta compressibilidade. Neste contexto, a competência na execução das funda­ções, tanto em terra como em água, é fundamental para garantia da qualida­de do objeto contratual. Além das fundações das obras de arte instaladas, há execução de galerias de drenagem de grandes dimensões, cujas fundações precisam ser avaliadas caso a caso, e têm sido objeto de acompa­nhamento do DER, que definiu soluções de retirada de solos moles,utilização de geogrelhas e utilização de fundações profundas. Com relação ao pavimento das faixas de rolamento, a elaboração do proje­to executivo considerou os parâmetros geotécnicos obtidos através de ensaios laboratoriais, instrumentação e investi­ gações de campo, de forma permitir a estimativa dos recalques e a estabilida­de do maciço durante a execução dos aterros da rodovia. Visando garantir as condições operacionais da rodovia no longo prazo, assim como a estabilida­de global do aterro e do pavimento, o projeto executivo prevê a execução de camadas adicionais de aterro (aterro de sobrecarga) acima da cota final de ter­ raplenagem como meio de aceleração dos recalques. Neste processo, cada camada de aterro deverá ser monitora­ da com instrumentação específica para aferir se os recalques reais estão dentro das expectativas de projeto. Somente após atingidos os parâmetros de proje­to, mediante observação dos recalques, é que a pavimentação poderá ser exe­cutada, garantindo assim uma pista de rolamento condizendo com os padrões exigidos pelo DER e pela Ecovias. É importante destacar também, que devido as obras se localizarem na baixa­ da santista, local com grau de agressivi­dade ambiental tabulado como "muito forte" pela NBR-6118 - Projeto de Estruturas de Concreto, com elevado risco de deterioração da estrutura de concreto armado, houve especial atenção por parte do DER em orientar o projeto exe­cutivo de acordo com as prescrições referidas da norma, com atenção em rela­ção aos cobrimentos da armadura, seu detalhamento, controle da fissuração e características do concreto, sendo que a resistência a compressão axial mínima empregada foi de 40 MPa. Por fim, estas obras são esperadas pela comunidade local e pelos usuários da rodovia dos Imigrantes há muito tempo. O grande tráfego de veículos nesta região causa grandes congestionamentos, assaltos, acidentes, dentre outros. Neste senti­do, a Construtora Ferreira Guedes tem total consciência da importância destes projetos e vem impondo um ritmo ace­lerado ás obras. Conhecendo o anseio da população para com sua conclusão, a Construtora Ferreira Guedes está em­penhada na célere execução do objeto contratual, procurando as melhores soluções de engenharia e seguindo os mais altos padrões de qualidade, segu­rança e meio ambiente.

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